Bom, o videogame já significava muita coisa na vida dessas duas pessoas muito antes deles saberem da existência um do outro. Ela começou a jogar Atari antes de aprender a falar direito, e ele ganhava revistas de videogame do avô, dono de uma banca de jornal em Santos, para aprender a ler as primeiras palavras.
Os dois cresceram longe um do outro. Ela era a paulista agitada e stressada da cidade grande, e ele era o caiçara tranqüilo e boa praça de Santos. A paulista sou eu, Carlinha Rodrigues, e vou contar a minha história aqui no GoW para deixar registrado em um lugar querido (meu blog, oras) a história que eu tanto amo.
Nossos caminhos se cruzaram pela primeira vez na faculdade. Ele fazia jornalismo e eu Publicidade e Propaganda. Sempre estivemos separados por um andar, eu estudava no sexto e ele no quinto. Não, eu não quis prestar Publicidade, só prestei porque me apaixonei por comercial do Xbox 360 e decidi que queria trabalhar com aquilo. Ao longo do curso, especialmente no meu último ano, eu vi que não era bem isso que eu queria e se eu tivesse prestado atenção e descido as escadas, iria achar tudo que eu queria naquele cara.
Aquele cara estava sempre sorrindo, era jornalista especializado em games, tinha um Wii, escrevia para as revistas que eu lia, e com certeza iria iluminar o meu caminho. Mas não era a nossa vez, ele se formou, saiu de lá e eu fiquei sem nem ter o conhecido apesar de estar o tempo todo procurando por ele. E se a nossa história fosse uma novela, essa seria a parte em que todo mundo falaria “AH NÃO! Como assim? Eles têm que ficar juntos! Alguma coisa tem que acontecer!”. E aconteceu.
No quarto ano eu decidi ir atrás do que eu realmente queria: Trabalhar com games. Fui atrás, mandei currículos, adicionei pessoas no Orkut e uma delas arranjou meu primeiro contato com a EGM Brasil, onde eu comecei a colaborar imediatamente, e feliz da vida. A minha primeira missão foi escrever o review de Okami para o Wii, onde eu teria que interagir com os outros redatores do review sem nunca te-los conhecido. Eu estava nervosa, como ia fazer uma piadinha com um cara que eu nunca conheci pessoalmente na vida? Como eu ia tirar um sarro com um cara que eu lia e admirava tanto? No entanto me esforcei, fiz, mandei, foi publicada.
Uma semana depois, fui ver o filme do Iron Man em uma sessão fechada para a imprensa quando um cara chega do meu lado e começamos o diálogo:
Ele – Oi, tudo bem?
Eu – Tudo bem.
Ele – Você é a Carla, não é? Que me zuou no review da EGM. Eu sou o Prandoni.
Eu (roxa, vermelha, sem ar, com o coração acelerado) – NÃÃÃÃÃO! Eu não te zuei, eu… olha… eu não… quer dizer… Eu reescrevi aquilo 10 vezes, mandei email pro editor perguntando se estava bom… ele… eu… ah…
Ele – Tudo bem, eu estou brincando.
E sorriu pra mim.
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